Entrevista de Dave Grohl para a Rolling Stone
jan 2012 07

Dave Grohl fala sobre a dominação de indicações dos Foos ao Grammy, saudades de Kurt Cobain e seu novo documentário sobre rock. Tradução: Giovana Moretti
Revisão: Astor da Silva
Fonte: Rolling Stone
Fotos: FooArchive.com

 

 

Os Foo Fighters estavam a vários quilômetros de casa quando ficaram sabendo que seu sétimo super pesado álbum, “Wasting Light”, fora indicado a seis Grammys. “Este deve ser o ponto máximo do ano para nós”, diz o líder Dave Grohl, chegando da Austrália entre um show e outro. “Acredite, nós ficamos boquiabertos quando descobrimos.” Assim que retornar aos Estados Unidos, Grohl voltará ao trabalho no documentário que está dirigindo sobre o lendário estúdio Sound City, de Los Angeles. “É excitante!”, diz ele sobre o filme. “A visão é incrivelmente clara – você vai ver.”

 
Parabéns pelas indicações ao Grammy! Você está empolgado? 

É muito louco. Digo, um álbum que fizemos numa garagem, totalmente análógico, sem absolutamente nenhum computador, ser indicado para o Álbum do Ano? É, digamos, inspirador. Tipo, é legal soarmos como seres humanos.

 

Deadmau5 também foi indicado por seu house-remix da música “Rope.” Você é fã?

Aquele cara é incrível! Minha filha e eu costumávamos encher um colchão inflável de ar, ligar o rádio na estação de música dance e pular como maníacos por horas. Foi assim que eu o descobri: uma música chamada “I Remember” – muito linda.

Quais têm sido suas partes favoritas desta turnê? 

Tocar ”Bad Reputation” com a Joan Jett no Madison Square Garden foi incrível. Então teve Alice Cooper no Milton Keynes Bowl, na Inglaterra – ele veio para o bis e tocou “School’s Out” e “I’m Eighteen” conosco na frente de 65 mil pessoas. Roubou o show. Mas a maior honra para mim foi a jam que fiz com Bob Mould no seu show de tributo em Los Angeles. Devo muito àquele cara.

 

Qual é a ideia por trás do documentário que você está fazendo? 

Quando o Sound City foi fechado ano passado, foi um dia muito triste. Aquele lugar era como uma igreja. A lista de pessoas que gravou lá parece um Rock and Roll Hall of Fame virtual: Neil Young, Fleetwood Mac, Tom Petty, Cheap Trick, Slayer, Rage Against the Machine, Weezer, Metallica – e Nirvana. Nós gravamos o “Nevermind” lá, em 1991. Aquele lugar vibrante e antigo tinha a melhor sala de bateria do mundo. O som da bateria no começo de “Smells Like Teen Spirit”? Aquilo é Sound City. Eu decidi fazer um filme sobre aquele sentimento que você adquire quando coloca cinco caras numa sala, aperta “gravar” e os pêlos da sua nuca se arrepiam. Esperem algumas sessões épicas de improviso.

 

O que significa, para você, o 20º aniversário do “Nevermind”, no último outono?

O aniversário foi uma viagem, mas não no sentido musical. Foi muito mais pessoal. Minha vida é dividida em duas partes por um único evento: antes do “Nevermind” e depois do “Nevermind”. E estes são dois mundos bem diferentes! Relembrá-los me fez sentir que não foi há tanto tempo assim, na verdade. Me fez sentir como se eu ainda tivesse muito mais a fazer. E me fez sentir falta do Kurt.

 

O que você acha de toda a nostalgia dos anos 90 de ultimamente? 

Eu realmente não vejo nada que possa ser considerado “nostalgia dos anos 90.” Guitarras altíssimas e bateristas que arrebentam suas baterias – quando isso vai acabar? Eu amo o fato de que uma banda chamada Soundgarden ainda consiga botar pra quebrar, mas eu não consideraria isso nostálgico. Não é como se guitarras, baterias e pessoas que faziam discos honestos tenham se extinguido e estão sendo ressuscitadas num tipo de laboratório do Jurassic Park. Aquela merda ainda existe. Está apenas sufocada sob um travesseiro de lixos.

 

Mas estes são tempos difíceis para as rádios de rock, não são? 

É óbvio que as rádios de rock têm sofrido um tipo de síndrome de playlist-formulada nos últimos dez anos. O sentimento que você teve quando ouviu “Bohemian Rhapsody” ou “Roxanne” ou “Smells Like Teen Spirit” pela primeira vez - é para isso que serve a rádio. A rádio não deve ser tipo um leite morno. Ela deve ser como o brilho da lua. Mas pela última vez: o Rock n’ Roll não precisa ser salvo. Ele está vivo e bem, muito obrigado.

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