Texto 1: Stella Bruk
Revisão: Diego Castanho e Karina Diaz
Pesquisa: Astor
Texto 2: Augusto Mariotti
Desde que anunciaram os dois dias de shows em outubro do ano passado, os fãs comecaram a planejar e se preparar para o fim de semana com o Foo em dose dupla. O lugar anunciado foi o Milton Keynes Bowl, fica cerca de 87 km de Londres, trata-se de um anfiteatro ao ar livre, onde todos os anos são realizados grandes shows, com capacidade máxima permitida de 65.000 pessoas.
Os ingressos, como sempre, esgotaram rapidamente. Os preços variavam entre £46.50 ingresso comum (cerca de R$117) e £195 pacote com direito a refeição em restaurante VIP (cerca de R$491).
Eis que é chegado o grande dia, e para garantir um lugar na grade chegamos às 7 da manhã, mas não fomos as primeiras, já havia um rapaz que chegou as 11 da noite anterior, com uma mala e um saco de dormir para enfrentar o frio da madrugada inglesa.
Por volta das 10 da manhã começaram a distribuir as pulseiras, 20.000 para o Inner Pit, local mais proximo do palco, que era dividido por uma passarela, por onde Dave e Taylor chegavam mais próximos do público, nos enlouquecendo.
Os portões foram abertos às 2h, sob um sol de rachar (sim, o sol também castiga aqui) corremos para o palco pedindo água aos seguranças, já que não era permitida a entrada de garrafas, mesmo que fossem de plástico.
A primeira atração começou por volta das 4 da tarde. Um DJ foi se aproximando do canto do palco, e antes mesmo dele chegar a sua mesa, nós, os fãs mais antigos, comecamos a gritar seu nome : Bob, Bob, Bob, ele acenou simpaticamente e começou a animar a festa. Bob Mould além de tocar Dear Rosemary mais tarde com o Foo, discotecou entre as atrações. No sábado tocaram Tame Impala, Death Cab For Cutie e Biffy Clyro.
Durante as apresentações das bandas além do gerente da banda Gus Brandt, Dave, Chris e Nate tentaram acompanhar lá no fundo escondidos no palco, mas a galera que tava na frente já comecava a gritar por eles. Não tem jeito, quem é fã tem um radar incrível para detectar a presença do seu ídolo.
Os Foos assumiram o palco às 8h15, já quebrando tudo com Bridge Burning, e seguiram a sequência do setlist dos shows anteriores.
Entre uma cerveja e outra, que eram bebidas numa golada só, com o tradicional arroto, Dave emendava elogios ao público e o quão importante era para a banda estar ali naquele local, e que se sentia completamente em casa. Se sentiu tão em casa que as famílias de todos os integrantes estavam presentes, as crianças completamente à vontade com protetores de ouvido, dançavam e mostravam que eram filhos de verdadeiros rock stars.
Roger Taylor (baterista do Queen) foi um dos convidados da noite de sabado, substituindo Taylor na bateria para tocarem Cold Day in the Sun.
“A coisa boa sobre esse álbum é que eu fiz uma música com uma pessoa que eu posso realmente chamar de meu herói”, elogia Dave, quando o amigo e grande influenciador Bob Mould entra no palco para cantarem Dear Rosemary, o engraçado era ouvir os novos fãs admirados: ” não é aquele Dj que estava tocando a tarde?”
Correndo prá lá e pra cá no palco e na passarela, Dave levava o público cada vez mais a loucura. Eles saem do palco e uma câmera de lente noturna joga nos telões a imagem de Dave perguntando se já era o suficiente, se a galera queria mais e quantas. Bebe mais uma cerveja incentivado pelo público e retornam ao palco.
“Se não fosse por essa próxima pessoa , Pat Smear nunca teria comprado uma guitarra em sua vida”, diz Dave à multidão. ” Digam olá para um dos nossos heróis – Sr. Alice F*k Cooper ! ”
Cooper faz sua participação cantando duas músicas: School’s Out e I’m Eighteen, e no domingo anterior, Alice Cooper havia feito um show para apenas 100 pessoas em Londres, onde Johnny Depp fez uma surpresa tocando guitarra nestas mesmas músicas.
Uma das músicas do setlist original acabou ficando de fora: eles não tocaram This is a Call, terminando o show com Everlong e fogos de artifício.
Domingo a rotina foi quase a mesma: chegar cedo na fila e esperar. Nós os soldados, quero dizer, fãs, estavamos cansados do dia anterior, então o jeito foi tirar um cochilo ali no chão duro mesmo. Eramos praticamente o mesmo grupo que foi se conhecendo e sendo solidário ali na fila, um ia comprar algo para comer ou beber e trazia para o outros. Até os seguranças contagiados pelo clima de camaradagem nos perguntavam coisas sobre a banda e diziam que nunca tinham visto uma banda tão contagiante e fãs tão dedicados. Até o clima resolveu cooperar, fez um dia mais nublado, o que nos ajudou a vencer mais um dia de 11 horas até ver nossos heróis no palco.
Os portões abriram uma hora mais cedo que no dia anterior, mas a corrida para chegar e garantir um lugar na grade foi a mesma.
Para passar o tempo, o pessoal comecou a brincar com bolas infláveis, camisinhas e desafiar a galera do lado oposto, sempre com gritos de guerra inocentes do tipo o “lado esquerdo é um saco” ” o lado direito é melhor”, enfim, um clima onde os 20.000 primeiros fãs dividiram harmonicamente. Dentre os objetos mais inusitados que fizeram parte do entreterimento da galera foi um boneco inflável que pintaram barba cabelo, bigode e tatuagens. Era um quase e perfeito Grohl.
Eis que vem Bob Mould para aquecer a galera e as apresentações das bandas The Hot Rats ( Gaz e Dan do Supergrass), Jimmy Eat World e Biffy Clyro.
O público começou a enlouquecer já na apresentação de Jimmy, muita gente não resistiu e foi sendo retirada inconsciente, e os paramédicos não paravam de carregar pessoas.
8.15. Tudo começa outra vez: a galera vai a loucura, mais gente saindo carregada, os acordes de Bridge Burning, as luzes, a euforia crescendo a cada musica, a cada desafio, Dave parava de cantar e o público seguia em uníssono, ele voltava ao microfone e continuava de onde havia parado. “ Antes não eramos tão bons assim, agora somos os melhores c******”, Dave diz.
Ele sabe conduzir a multidão, só no olhar ele ordena e o público acompanha, faz caras e bocas, corre em todas as direções do palco, faz pose para as fotos. Num momento ele correu na passarela e um “moleque retardado” (pra nao dizer coisa pior) joga um copo dagua na cara do Dave, quase foi linchado, os seguranças precisaram retirar o imbecil para salvar a sua vida.
Fotos Amy Hill
Quando no final da passarela, acompanhado apenas pela guitarra e o coro dos fãs, Dave executou Wheels, pudemos ver pelo telão lágrimas nos seus olhos mais uma vez. E agradece aos fãs que o acompanham ja há 16 anos e aos fãs novos pelo carinho e dedicação.
“Nós não estaríamos aqui agora se não fosse por Bob”, diz Dave chamando Bob ao palco para cantarem Dear Rosemary.
Antes de tocarem These Days, ele faz um pequeno discurso da importância dos últimos 16 anos na vida e na carreira da banda e diz que tudo teria sido diferente se não tivessem a grande honra de conhecer e trabalhar com um dos responsáveis pelo sucesso deles, e chama ao palco Butch Vig.
As surpresas não terminariam por ali, enquanto Dave conversa com a platéia, o palco comeca a ser preparado para os próximos dois convidados da noite. Seasick Steve e John Paul Jones!! Dave diz que precisa acompanhá-los na bateria e os três juntos executam Back In The Dog House. Na noite anterior, a dupla Seasick e JPJ tocaram juntos em Londres no Itunes Festival, acompanhados por Jack White e Alison Mosshart com a mesma música.
E a noite se encerra com o coro de Everlong e fogos de artificio, e a promessa de voltar sempre.
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Foo Fighters @ Milton Keynes, Inglaterra
Escrito por Augusto Mariotti
Estar presente num show do Foo Fighters já era uma sonho de muito tempo que ainda faltava realizar.
Quando a banda anunciou os 2 mega shows que faria na Inglaterra em julho, ainda em 2010 resolvi comprar o ingresso e depois iria me virar para armar a viagem.
E o tão esperado dia 2 de julho de 2011 chegou e eu parti para Londres.
Depois de terem se apresentado em anos anteriores no Hyde Park e no Estádio de Wembley onde mais o FF poderia fazer um show ainda maior? A resposta foi o Milton Keynes Bowl que fica os arredores de Londres. Um mega arena para 70 mil pessoas cercada de natureza e até um parque de diversões. Tanto o show do dia 2 com o do dia 3 estavam sold out meses antes da apresentação.
Dave Grohl parece ter um caso de amor com os fãs ingleses. Logo no começo do show ele já agradeceu emocionado e confessou se sentir em casa sempre que toca na Inglaterra e que esse não seria um show qualquer mas muito especial. Não com 1h30 de apresentação, mas sim 2h30!
Não bastasse isso ele ainda convidou 3 figuras de peso da música para particpações especiais: Alice Cooper, Bob Mould e o baterista do Queen Roger Taylor.
Roger Taylor foi o primeiro a aparecer para tocar ‘Cold Day In The Sun’, enquanto o baterista do Foo, Taylor Hawkins assumiu os vocais.
Mais tarde Bob Mould se juntou a banda para tocar ‘Dear Rosemary’, música que teve sua contribuição. Grohl super emocionado confessou que o se o Foo Fights existe, isso se deve a Bob.
O último convidado da noite foi Alice Cooper que se juntou a banda já no bis, para tocar 2 de suas músicas ‘School’s Out’ e ‘I’m Eighteen’.
O albúm ‘Wasting Light” recém lançado pela banda, mostrou que tem canções ainda mais poderosas quando tocadas ao vivo como “Rope” e “Walk”. As músicas pareciam já clássicos da banda tamanha euforia do público ao ouvi-las e entoar junto cada verso, acompanhado de copos de cerveja que insistiram em voar durante todo o show. Um clássico dos (bons) shows de rock na Inglterra.
Além dos novos hits o Foo Fighters incluiu no set seus clássicos ” Monkey Wrench”, “My Hero” e encerrando o show “Everlong”, do disco ‘The Colour And The Shape’
Completaram o line up da noite Biffy Clyro, Death Cab For Cutie e o Tame Impala. Digno de um grande festival.
O setlist fodaço e que vai ficar na memória pro resto da vida foi assim:
‘Bridge Burning’
‘Rope’
‘The Pretender’
‘My Hero’
‘Learn To Fly’
‘White Limo’
‘Arlandia’
‘Breakout’
‘Cold Day In The Sun’
‘Long Road To Ruin’
‘Stacked Actors’
‘Walk’
‘Dear Rosemary’
‘Monkey Wrench’
‘Let It Die’
‘Generator’
‘Best Of You’
‘Skin And Bones’
‘All My Life’
‘Wheels’
‘Times Like These’
‘Young Man Blues’
‘School’s Out’
‘I’m Eighteen’
‘Everlong’
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